21 jun, 2006
-Sobre livros proibidos
Escritores perseguidos no Brasil e no exterior Todos conhecem o caso do escritor anglo-indiano Salman Rushdie, autor do famoso – e perseguido – Os versos satânicos. Em 1989, o líder iraniano, aiatolá Khomeini, condenou Rushdie com uma fatwa. Ofereceu-se um milhão de dólares a quem o matasse. Seus livros passaram a ser queimados em diversos pontos do planeta. A literatura sempre foi alvo de perseguição. Em 1912, o impressor irlandês John Falconer queimou 999 dos mil exemplares da primeira edição de Dublinenses, de James Joyce, porque a linguagem forte dos relatos não o agradou. O mais famoso romance de D. H. Lawrence, O amante de lady Chatterley, teve a primeira edição inteiramente destruída. A acusação de pornografia levou o Departamento de Estado americano a queimar livros do psicanalista Wilhelm Reich. A primeira edição de A cidade e os cachorros, do escritor peruano Mario Vargas Llosa, de 1962, não só foi confiscada pelos militares, mas totalmente queimada. Não é preciso longe. Báez recorda também que Getúlio Vargas mandou queimar 1700 exemplares de Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado. Muitas vezes, no entanto, são os próprios escritores que perseguem seus livros. É célebre a história do tcheco Franz Kafka que, antes de morrer, pediu ao amigo, Max Brod, que queimasse seus manuscritos. Brod o desobedeceu. Ao morrer, também o filósofo romeno E. M. Cioran deixou 34 cadernos de mil páginas com uma indicação precisa: “Destruir”. Sarcástico, Borges lembrou, um dia, que, quando um escritor quer dar sumiço em seus livros, faz o serviço pessoalmente. Quando se refugiou em Charleville, o poeta Arthur Rimbaud, por exemplo, queimou ele mesmo muitos de seus manuscritos. Até Platão queimou livros, Báez nos lembra. Na juventude, quando conheceu Sócrates, Platão destruiu todos os seus poemas. Muito mais tarde, queimou os tratados do filósofo Demócrito para esconder semelhanças entre as idéias do inimigo e as suas. “É possível que Platão queimasse obras? Pois bem, ele queimou”, Báez afirma, perplexo com sua própria afirmação. Ele recorda ainda que, em 1910, os futuristas escreveram um manifesto em que pregavam o fim de todas as bibliotecas. Um escritor genial como Vladimir Nabokov queimou um exemplar do Quixote em pleno Memorial Hall, diante de seiscentos alunos, com o argumento de que o livro não prestava. E Martin Heidegger entregou livros de seu maior inimigo, o filósofo Edmund Husserl, para que estudantes de filosofia os levassem ao fogo. E os amigos? Quando Gustave Flaubert leu para amigos, pela primeira vez, seu estranho As tentações de Santo Antão, eles sugeriram que ele o queimasse imediatamente e o esquecesse. Por sorte, dessa vez foi Flaubert quem não os atendeu. Em Crônica pessoal, Joseph Conrad conta que seu próprio pai queimou alguns de seus manuscritos. Isaac Newton dedicou sua vida a censurar e perseguir os trabalhos do astrônomo John Flamsteed. Newton plagiou as idéias de Flamsteed sobre as estrelas – e depois, temendo ser descoberto, conseguiu o confisco dos trezentos exemplares de livro que continha esse plágio e os queimou. A busca da pureza e a luta contra a imoralidade têm sido fortes argumentos para a destruição de livros. Em 1749, Fanny Hill, romance de John Cleland, que relata as aventuras de uma prostituta, foi proibido antes de ser editado. Já no século XX, a corte de Westminster, na Inglaterra, decretou a eliminação de todos os exemplares do Satyricon, de Petrônio, obra-prima da literatura latina, porque o livro trata da liberdade sexual. No século XIX, a grande obra de Charles Darwin, A origem das espécies, de 1859, teve muitos de seus exemplares queimados. Até hoje, nas regiões mais conservadoras dos Estados Unidos, o livro é perseguido como perigoso.
21 jun, 2006
-Da biblioteca para fogueira
20 jun, 2006
-Dom Quixote e Bolívar - Terra-Educação › História por Voltaire Schilling
É uma idéia de Miguel de Unamuno, o filósofo espanhol, que o Dom Quixote de Miguel de Cervantes, o personagem da novela de Miguel de Cervantes, teria prenunciado o destino final, solitário e triste, de todos os cavaleiros andantes do mundo hispânico, não escapando da desdita nem homens como o venezuelano Simon Bolívar, o Libertador, o uruguaio Gervásio Artigas ou o argentino San Martin, que morreram abandonados por todos, indo ou já estando no exílio. Aliás o próprio Bolívar admitiu certa vez de que Jesus Cristo, Dom Quixote e ele, Bolívar, eram os maiores ingênuos da história.
(Mais)20 jun, 2006
-Livros Digitais - O Globo - 20/06/2006
Ficou para depois das eleições, com a Comissão Setorial do Livro, a decisão sobre o projeto que o grupo Google ofereceu ao Ministério da Cultura: digitalizar dois milhões de títulos da Biblioteca Nacional.
O custo ficaria em torno de U$ 10 milhões e envolveria a contratação de 250 pessoas, tudo pago pelo Google. As bibliotecas da França e da Alemanha rejeitaram a mesma oferta, porque, entre outros problemas, os padrões da digitalização remetem todos para a língua inglesa. A Biblioteca Nacional tem 200 títulos digitalizados.
20 jun, 2006
-Uma revolução a caminho - O Estado de S. Paulo - 11/06/2006
14 jun, 2006
-Citação de Padre Antonio Vieira
"O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive; e não tendo ação em si mesmo, move os ânimos e causa grandes efeitos."
2 jun, 2006
-Livros dentro da fábrica
Maisa Infante, Jornal do Comércio da Franca - SP 02/06/06
As oito horas diárias de trabalho dentro de uma fábrica de calçados são quebradas pela leitura. O cheiro de cola é trocado pelo cheiro de jornal, de páginas de revista, de livros folheados. No horário de almoço, além de comer, funcionários aproveitam para ler. Essa nova rotina já pode ser observada em mais de 50 indústrias de Franca. São empresas conveniadas ao Sesi (Serviço Social da Indústria) e que aderiram ao programa Caixa-Estante.
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