27 set, 2007

-Você sabia? Extraído do site da CBL

Monteiro Lobato começou a escrever aos 14 anos, quando publicou sua primeira crônica para o jornal "O Guarani". Além de escritor, foi fazendeiro de café, desenhista, pintor, pesquisador de babaçu, adido comercial do Brasil nos Estados Unidos, industrial e editor. Sua primeira editora, a Monteiro Lobato & Cia., foi criada em 1919, quando havia pouco mais de 30 livrarias na época. Ele foi aos Correios e conseguiu uma listagem de pequenos negócios espalhados por todo o país. Despachou lotes de livros junto com uma carta. Oferecia o produto consignado e uma porcentagem nas vendas. Foi então que nasceu sua célebre frase "Um país se faz com homens e livros". Dois dias antes de sua morte, em 5 de julho de 1948, Monteiro Lobato declarou numa entrevista: "Meu cavalo está cansado e o cavaleiro tem muita curiosidade em verificar, pessoalmente, se a morte é vírgula ou ponto final".

27 set, 2007

-Um só português - Jornal do Comercio 26/09/2007

O Ministério da Educação chegou a anunciar a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, mas a data foi postergada. A reforma, que tem como meta a unificação ortográfica dos países de língua portuguesa, pode modificar cerca de 0,5% do vocabulário brasileiro que possui cerca de 228 mil verbetes registrados no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.  (Mais)

22 set, 2007

-O amansa-burros por Ivo Sefton de Azevedo

Agradecemos ao nosso cliente Ivo Sefton de Azevedo que nos mandou esse texto para publicação no blog!

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O vô estava muito bem acomodado numa poltrona quando ouviu aquele característico bulício no corredor, a partir do elevador, em direção à porta de entrada do apartamento. É claro, só podia ser aquela sua netinha. Soou a campainha e ele foi atender à porta.

- Vô ! Preciso da tua ajuda. A profe disse que amanhã todo o mundo tem que chegar na escola sabendo o que é amansa-burros. E eu não sei o que é.

- Já vamos dar um jeito nisso.

E foi apanhar na estante uma porção de volumes: Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Novo Aurélio Século XXI, Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea em 2 volumes publicados pela Academia das Ciências de Lisboa . . . Espalhou-os sobre a mesa da sala de jantar e disse à menina:

- Taí. Podes procurar nesses dicionários todos aí. Acho que vais acabar descobrindo o que é amansa-burros . . .

A menina fez uma careta de decepção, imaginando que o vô deveria ter a resposta na ponta da língua, poupando-a da chatíssima tarefa de pesquisar naqueles imensos e pesados livrões em cima da mesa. Mas o vô tinha lá as suas manias. Achava que o que se aprende com exagerada facilidade e rapidez também logo e rapidamente é esquecido. Agora, o que custa esforço para ser encontrado e absorvido mais dificilmente será esquecido. Voltou para a sua poltrona, apanhou uma revista e ficou esperando, longos minutos, até que a menina, muito triste e meio desesperada, lhe disse, com voz quase chorosa:

- Não achei esse tal de amansa-burros em nenhum desses livros !

O vô não conseguia acreditar:

- Mas nenhum deles explica o que é amansa-burros ? Não pode ser ! Deixa o vô conferir.

E lá se foi ele a folhear, um por um, os seus preciosos dicionários. E não é que a sua neta tinha razão !? Nenhum, mas nenhum mesmo, apresentava o verbete amansa-burros ! . . .

- Mas isso é um absurdo ! Como é que esses dicionários, com milhares de páginas, não são capazes de registrar o que é um amansa-burros ?!

Não se deu por achado. E não queria dar o braço a torcer. É claro que o vô sabia o que é um amansa-burros. Mas também queria que a netinha tivesse o prazer de descobrir, ela própria, o significado da esquisita expressão. E pensou se não seria o caso, em desespero de causa, de consultar um dicionário espanhol . . . Ora, ora . . . Foi apanhar a vigésima segunda edição do Diccionario de la Lengua Española, publicado, em 2001, pela prestigiosa Real Academia Española. E lá encontrou, numa única e curta linha, na página 131 do 1º volume, isto aqui:

amansaburros. m. fest. El Salv. diccionario

Isso queria dizer, então, que na República de El Salvador, o substantivo masculino amansaburros é usado, de forma chistosa ou espirituosa, com o significado de diccionario . . . Tal como em português . . .

- Cá pra nós - pensou o vô - precisei de um dicionário espanhol para documentar que amansaburros ou amansa-burros não é outra coisa senão um dicionário ! Com que cara eu fico diante da minha neta ? Faço esse brutal empenho para que se use o dicionário e os meus belos, imensos (e caros . . .) dicionários me fazem passar essa vergonha ! . . . E agora, daqui em diante, como é que eu vou poder convencer a menina de que consultar o dicionário é o que se deve fazer para saber o significado de qualquer palavra ainda desconhecida ? . . .

Os editores desses belos dicionários que não possuem o verbete amansa-burros devem ao público brasileiro e português uma explicação convincente. Mas é difícil acreditar que consigam apresentá-la.

Que fez, então, o vô ? Acabou ele mesmo tendo de explicar à netinha o significado da expressão . . . E a vó dava risada, acrescentando:

- É isso aí, minha neta ! Eu sempre digo que não preciso consultar o dicionário porque o teu vô é um dicionário ambulante ! . . . :-)


20 set, 2007

A morte de um livraria (Rascunho- seção Ponto Final)

Com o fechamento da Guerreiro, Curitiba perde mais uma livraria de rua

Assisto ao vivo e a cores (como se dizia na década de 70) à morte de uma segunda livraria. Agora a do Joaquim, a Guerreiro. A primeira foi a minha própria, que faleceu em meus braços, agonizante, e eu esperando até o último instante por um milagre que não veio, apesar de os meus amigos terem organizado uma cooperativa na tentativa de evitar o fechamento da Eleotério.

Um advogado e um consultor empresarial me aconselharam a esquecer; ou melhor, agradecer a todos e começar tudo do zero. Matutei ainda por uns dias, mas analisando friamente, não cedi a impulsos e recomecei de balconista no “quintal onde nasci como livreiro” — nos arredores da Universidade Federal do Paraná. Estava na Guerreiro. Após 22 anos de Livraria Chain, sete como empresário, era agora um “guerreiro”, literalmente.

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8 set, 2007

-O apaixonado plágio - Milton Hatoum - 21/08/2007

Quando se fala em plágio, logo se pensa na apropriação indevida de uma idéia ou obra original. O dicionário Houaiss indica que o plagiário ou plagiador era também um ladrão de escravos: roubava-os para depois vendê-los. Ou seja, era um traficante de escravos. (Mais)

8 set, 2007

-William Ospina - A Cidade dos livros - Blog do Galeno - 04/09/2007

Desde a conquista da escrita, poucas coisas modificaram tanto quanto nossa maneira viver, como a popularização dos livros. Na sociedade de consumo a indústria colocou nas mãos de todo o cidadão da classe média, confortos comparáveis somente a que tiveram os imperadores na antiguidade. E é verdade que os automóveis, a refrigeração para os alimentos, os meios de comunicação, a avalanche de informação, os sistemas da provisão de bens ao consumidor, o projeto industrial e o conforto são vantagens notáveis para aqueles que podem ter acesso a elas. Mas poucas coisas foram tão radicalmente inovadoras como ter-se evoluído das bibliotecas medievais restritas, nas quais tinha-se que reter o conhecimento na memória (o livro não podia ser tirado de lá), a menos que fosse o bispo ou o abade, à biblioteca pessoal ou à biblioteca pública próxima e acessível. (Mais)

8 set, 2007

-Um novo modo de ler - Muniz Sodré - Blog do Galeno - 23/04/2007o

Eis um fato que hoje pouco se comenta (ou que, na verdade, pouco se sabe): o livro não tinha maior importância na aurora do sistema de pensamento que veio a se chamar de Ocidente. Isto foi frisado por Heidegger. Pensar, para o antigo grego, era atividade pública e oral. (Mais)

8 set, 2007

-Como se aprendia português - Deonisio da Silva - 31/05/2007 - Blog do Galeno

Era impressionante o lastro intelectual proporcionado aos adolescentes no ensino da língua portuguesa até 1971. Textos de Euclides da Cunha, Rui Barbosa e José de Alencar eram apresentados logo nas primeiras aulas da terceira série do ginásio, equivalente, depois da Reforma, à sétima série do ensino fundamental. (Mais)

8 set, 2007

-O Livro e a História - Pedro A. Biondo-Blog do Galeno 03/09/2007

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

(Aos Poetas Clássicos, Patativa do Assaré)


O que é história? Apesar da resposta ser simples, poucos respondem com precisão. História é o registro dos fatos, o que pode ser feito através da escrita ou da gravação de sons ou imagens. Com certeza a escrita foi a primeira a registrar com detalhes os fatos que se tornaram história. A pré-história é o período no qual os estudiosos classificam o que aconteceu antes da escrita. Mas antes da escrita, foi necessário a codificação de sons que representavam as ações, fatos ou coisas. Esta codificação é o que chamamos de linguagem.

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8 set, 2007

-O presidente e os sem-livro-Daniel González-16/03/2007-Blog do Galeno

A existência de um grande contingente de cidadãos que não têm acesso ao livro e, tampouco, as habilidades necessárias para o ato de ler é um dado preocupante. Apenas um em cada quatro brasileiros está apto para tal, enquanto os 75% restantes são analfabetos absolutos ou funcionais, que mal desenham o próprio nome e têm dificuldades para compreender textos mais complexos que um simples bilhete. (Mais)

8 set, 2007

-Tecnologia democratiza a cultura-Valor Econômico - 06/09/2007

Os jovens latino-americanos de 15 a 29 anos, definitivamente, não têm tanto tempo para ler os clássicos de sua literatura, como "A Morte de Artêmio Cruz", do mexicano Carlos Fuentes, ou "O Jogo da Amarelinha", do argentino Júlio Cortázar. Apenas 8,5% dos chilenos usa o tempo livre para ler um livro, jornal ou revista. O número de mexicanos é tão baixo que não é possível catalogar os dados. Já os colombianos têm um índice melhor (24%), mas ainda preferem praticar esportes (38%) e ouvir música (37%) a se debruçar sobre um Gabriel García Márquez (Mais)