15 out, 2007

Doris Lessing: prêmio Nobel 2007

A britânica Doris Lessing ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2007ESTOCOLMO (AFP) — A escritora britânica Doris Lessing ganhou nesta quinta-feira o Nobel de Literatura 2007, um prêmio que recompensa uma obra vasta, variada e marcada pelos cenários da África e a causa feminista.

O júri descreveu Doris Lessing em um comunicado como "a narradora épica da experiência feminina, que, com ceticismo, ardor e uma força visionária sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio".

Doris Lessing completará 88 anos no dia 22 de outubro. Desde o início da premiação em 1901, ela é a 11ª mulher a receber o Nobel de Literatura.

A escolha foi uma surpresa já que o nome de Lessing, com freqüência citado como favorito no passado, já não aparecia atualmente nos círculos suecos.



A romancista não pôde ser localizada após a divulgação da notícia. De acordo com seu agente literário, ela estava fazendo compras em Londres e não foi possível avisá-la antes que ela ficasse sabendo do prêmio pelos meios de comunicação.

Nascida no território da Pérsia, atualmente Irã, em 1919, quando seu pai era capitão do Exército britânico, Doris May Taylor viveu parte da juventude na então Rodésia (atual Zimbábue), o que marcou sua obra.

Ex-membro do Partido Comunista britânico, do qual se afastou em 1956 após a repressão da rebelião húngara, é comparada freqüentemente com a francesa Simone de Beauvoir por suas idéias feministas.

"The golden notebook" ("O caderno dourado"), de 1962, sua obra-prima, conta a história de uma escritora de sucesso em forma de diário íntimo.

Para o Comitê Nobel, este livro "é uma obra pioneira do movimento feminista e pertence ao grupo de obras que mudaram a forma de ver as relações homem-mulher no século XX".

Sua juventude, passada entre vários continentes, a inspirou a produzir sua primeira saga, escrita de 1952 a 1969: os cinco volumes de "Filhos da Violência".

Entre outras de suas principais obras figuram "The Grass is Singing", "The good terrorist", sobre um grupo de revolucionários de extrema-esquerda, "Andando na Sombra", "Regresso para casa" (1957), onde denuncia o apartheid na África do Sul, "O quinto filho", "Debaixo da Minha Pele da Companhia das Letras" e "Andando na Sombra".

A escritora sempre soube explorar todos os estilos, sem hesitar em uma incursão no mundo da ficção científica com os cinco volumes da série "Canopus em Argos: Arquivos", escrita entre 1979 e 1983, e entre os quais se destaca "Shikasta".

Nesta saga, Lessing imagina o mundo depois de um conflito atômico e fala dos antagonismos entre os princípios feminino e masculino, assim como de colonialismo e de catástrofes ecológicas.

Em 1984 Doris Lessing fez uma brincadeira com os meios literários ao lançar "Diario de uma boa vizinha" sob um pseudônimo (Jane Somers). Sua própria editora, que não conhecia a verdadeira identidade da autora, se recusou a publicar o livro.

Casada duas vezes e divorciada, a escritora afirma que "o matrimônio é um estado que não a convém".

Doris Lessing vive atualmente na periferia de Londres e, nos últimos anos, se dedicou principalmente às obras de ficção científica.

O Nobel de Literatura é acompanhado por um prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,08 milhão de euros) e será entregue em 10 de dezembro, em Estocolmo, durante a tradicional cerimônia na presença da família real


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