28 abr, 2008

Cultura é um negócio promissor (Livraria Osorio na Gazeta do Povo!)

Tecnologia

Segunda-feira, 28/04/2008

Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Alejandro, livreiro no mundo físico e no ambiente virtual: mãozinha para quem procura obras difíceis e para os que sofrem de rinite alérgica

Cultura é um negócio promissor

Venda on-line de livros usados e download de obras permitem popularizar a literatura e são antídoto contra a falta crônica de livrarias no país

Publicado em 28/04/2008 | Franco Iacomini, da Redação, e Elis Monteiro, da Agência O Globo, no Rio de Janeiro

O número de livrarias no Brasil ainda é muito pequeno, principalmente em comparação com países como os Estados Unidos. Só para ter uma idéia, de acordo com dados da Fundação Biblioteca Nacional, o país tem 2.767 livrarias, numa proporção de 70 mil leitores para cada uma; nos EUA, a relação é de 15 mil habitantes por livraria. O número de lançamentos no mercado editorial também não é grande. Com um número reduzido de alternativas, os leitores têm procurado saídas, como as compras on-line e os livros usados. Muitas vezes esses caminhos se cruzam.

Numa dessas encruzilhadas encontra-se a Livraria Osório (www.livronet.com.br), de Curitiba, que reivindica o título de mais antiga livraria on-line ainda em atividade no país. Especializada em usados, o sebo Osório funciona há 23 anos e está na rede desde 1995, ano em que a internet comercial chegou a Curitiba. O proprietário, o argentino Alejandro Francisco Rubio, diz que a adoção da tecnologia foi um passo natural para a empresa:" As pessoas sempre ligavam perguntando se tínhamos determinada obra ou o que havia no acervo sobre algum assunto", conta. "Logo que nos informatizamos, em 1993, imprimíamos listas para para consultas, e muitas vezes enviávamos pelo correio para que o cliente fizesse a sua escolha. Só que freqüentemente a lista tinha mais de 300 folhas. Quando o acervo chegou a 10 mil exemplares, isso ficou inviável."

Literatura nacional a preço baixo e com entrega virtual

Mas não é só de usados que vivem os livreiros virtuais. Os livros foram os primeiros artigos a serem comercializados pela internet, e há boas razões para isso: é um produto padronizado e com referências claras de preço. Praticamente não há diferenças entre comprar deste ou daquele varejista. E, quando se trabalha com grandes volumes, é possível praticamente eliminar o estoque e trabalhar com parcerias diretas com as editoras; essa é a fórmula da Amazon, referência mundial em comércio on-line que começou com a venda de livros e hoje negocia de ferramentas a alimentos, de sapatos a xampus.

Cyber-sebo

Alguns marcos na história do site livronet.com.br.

1985 Abertura da Livraria Osório.

1993 Início da informatização, com computadores XP.

1994 Envio de listas impressas pelo correio para que os clientes fizessem suas encomendas.

1995 Começa a era da internet: a cada três ou quatro dias, uma nova lista entra no site da empresa.

1997 Com a adoção de um sistema de banco de dados, as listas começam a ser atualizadas em tempo real.

1998 Começam as vendas on-line

2003 O site atinge o pico de visitantes: 15 mil usuários por dia.

A internet encurtou o caminho. No princípio Alejandro pôs no ar listas estáticas, atualizadas a cada três ou quatro dias. Os internautas consultavam-nas e mais tarde faziam suas encomendas por telefone ou passavam na loja. O site começou a aparecer nos mecanismos de busca da época, como o Yahoo!, o Lycos e o Altavista, e ganhou o mundo: "Começamos a receber contatos de gente de todo o país e de fora, conta o livreiro. "

As facilidades aumentaram com a adoção de bancos de dados, que passaram a atualizar as listas do site em tempo real, e com a adoção do e-commerce, em 1998. O número de acessos bombou. Em 1995, eram 100 por dia, e Alejandro e sua equipe já ficavam admirados. Em 2003 chegaram a 15 mil por dia, o pico histórico. Depois disso veio a concorrência, e os números se estabilizaram perto de 8 mil. Ele não reclama: "A oncorrência é boa para a população. Com várias lojas na rede, o público passou a ter confiança no serviço.:"Quem está sozinho no mercado fica cercado de suspeita; agora ninguém mais pensa que nós somos picaretas."

Há outros sebos curitibanos na internet, com sites bastante amigáveis e a possibilidade de fazer a compra on-line. O Papirus (www.sebopapirus.com.br) permite consultas às obras incluídas recentemente no acervo, pelo link "Novidades". O Espaço do Livro (www.espacodolivro.com.br) tem uma interface idêntica, e não cobra taxa de envio para encomendas acima de R$ 60,00. Em todos eles o cliente pode encontrar volumes difíceis, fora de catálogo ou raros, e fazer pesquisas por autor, título e editora.


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